O primeiro mangá a gente não esquece

Sempre fui resistente com relação aos mangás. Não os criticava, simplesmente ignorava a sua existência. Acho que havia uma parcela de preconceito nessa atitude. Talvez explicado pela enxurrada de revistas e desenhos animados japoneses de baixa qualidade que invadiram o Brasil e o mundo.
Mas isso não justifica o preconceito. Na verdade nada justifica um preconceito.
Tenho alguns amigos que são fãs de mangás. Eles sempre me enchiam o saco dizendo que havia mangás muito bons e que eu deveria ler. Mas suas opiniões me eram suspeitas, pois eles defendiam as revistas japonesas com uma vontade quase religiosa.
Alguns desses caras eram antigos leitores da Marvel e DC que migraram para os mangas após a lamentável crise criativa que se abateu sobre os quadrinhos na segunda metade dos anos 90 e início dos anos 2000. Eram super-heróis que morriam e ressuscitavam, ficavam paralíticos e se curavam, crossovers ridículos, artistas medíocres, enfim, uma época lamentável.
Sempre resisti e me mantive fiel aos heróis que me faziam companhia desde a infância. Comecei a comprar algumas coisas da Image/Top Cow, mas quando a situação ficou ridícula demais na Marvel/DC, simplesmente parei de ler quadrinhos por alguns anos. Mangás jamais.
Quando todo mundo parou de me encher o saco, li por acaso a resenha oficial de “Éden – um mundo infinito!”, de Hiroki Endo:
"Num futuro próximo, um devastador vírus dizimou a humanidade. Enoa, Hana e Rain - nossos protagonistas - são os únicos sobreviventes? Vivendo em um Éden, isolados do que pode ter sobrado do planeta, Enoa e Hana procuram descobrir as respostas para seus questionamentos - que não são poucos. Enquanto isso, Rain tenta fazer as pazes com seus próprios demônios pessoais. Lendo sobre um Deus que não parece muito coerente e revirando velharias em busca do passado de seus pais, Enoa e Hana viverão a maior aventuras de suas vidas!"
Pensei comigo mesmo: cara, isso parece bom. Bem diferente de Dragon Ball e semelhantes. Vou conferir.
Comprei e... gostei. Na verdade achei excelente. Os desenhos são ótimos (Hiroki Endo só não sabe desenhar cachorros), a história é muito boa e o autor utiliza uma narrativa não-linear interessantíssima, com contrapontos entre presente e passado que vão dando clareza à história ao longo da revista.
Também estou lendo Lobo Solitário, o clássico de Kazuo Koike e Goseki Kojima. É excelente. Por enquanto não tem como não gostar de mangá.
Escrito por Mestre Chang às 15h38
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Clássicos do Mestre Chang: “V de Vitória”
Alguém lembra desse seriado? Passou no Brasil no início dos anos 80. Extraterrestres com aparência humana invadem as 50 maiores cidades do mundo. Os ETs convencem as Nações Unidas de que vieram em paz, mas logo são desmascarados: sua verdadeira intenção era dominar o planeta e escravizar os humanos.
Com sua tecnologia superior, os invasores derrotam os exércitos mundiais e dominam a Terra.

Por trás da aparência humanóide escondiam-se seres monstruosos, parecidos com lagartos. A cena mais clássica do seriado é a que mostra os ETs comendo ratinhos vivos.
Um grupo de pessoas organiza a resistência humana, com táticas de guerrilha e ações de sabotagem. A inspiração na II Guerra Mundial é clara. As ações contra os ETs lembram a Resistência Francesa contra os nazistas. O “V” que dá nome à série era pichado nos muros, como o “V” da vitória inventado por Churchill na II Guerra. Lembro de uma cena em que os humanos eram prisioneiros em uma espécie de campo de concentração, e um oficial alien manda um cara limpar seus coturnos. O cara começa a limpar com as mãos, e o ET manda ele limpar com a língua. Nojento.

Essa saiu do fundo do baú de antiguidades do Mestre Chang. Mas é clássico. Na época, eu lembro que tinha um boneco dos Comandos em Ação que era igual aos soldados alienígenas de "V". Assim eu fazia vários crossovers entre Comandos e aliens...
Aqui dá para baixar a cena clássica do ratinho.
Aqui dá para baixar a abertura do seriado.
Aqui dá para baixar um monte de outras coisas relacionadas à série.
Escrito por Mestre Chang às 21h47
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A nova revista do Wolverine

Escrevo este post após ler Wolverine 1 e 2.
Em resumo, a revista tem os elementos básicos para uma boa trama. Uma vítima é assassinada e Logan vai atrás dos bandidos. Há policiais corruptos, uma seita de fanáticos, um homem e um mutante querendo vingança.
No geral eu gostei dessa nova revista do Wolverine. O argumento de Greg Rucka é o ponto alto da coisa, lembrando as boas histórias policiais do Batman-detetive: tramas de investigação, roteiro cinematográfico, violência na dose certa e um Wolverine clássico, ou seja, baixinho e invocado. Sem pretensões de bater no Hulk ou no Super-Homem, o Wolverine do Rucka é simplesmente um cara solitário e fodão. Muito fodão.
Faço críticas à arte. Começando pelas capas do Esad Ribic, que eu simplesmente não gostei. O Wolverine da capa da revista n.º 2 tem um certo jeitão de Lobo. E o Logan tem personalidade suficiente para não precisar parecer com ninguém.
Os desenhos internos são de Darick Robertson e a arte-final é de Tom Palmer. Acho que o Wolverine merecia coisa melhor. A arte tem altos e baixos. Na média os desenhos são aquele feijão com arroz que não chega a comprometer o excelente roteiro. Mas em alguns quadrinhos a coisa fica tosca.
A representação gráfica do Wolverine é instável, e eu atribuo isso à falta de competência do desenhista. Na maior parte do tempo o Logan é mostrado como um cara extremamente baixo (um anão alto), atarracado e muito, mas muito feio (quase tão feio quanto o Fera na fase de feições menos animalescas). Entretanto, em alguns momentos, as feições do Wolverine se amenizam, ele parece ficar mais alto, menos corcunda e mais sarado (como na pág. 47 da revista n.º 2).
Eu penso que o Wolverine não pode ser mostrado como um galã de novela, como alguns desenhistas tentam fazer. Mas também não pode ser desenhado como um monstrengo escroto, como faz o Darick Robertson na revista n.º 1. Mas, pelo que eu pude bisbilhotar na internet, a arte do Robertson vai melhorando com o tempo.
Mas a história boa supera a arte meia-boca. Por enquanto tá valendo a pena.
Arma X e Mística completam a revista. Antes que eu me esqueça, é muito-a-fudê a capa de Mystique 12, com arte de Mike Mayhew. (Wolverine 2, pág. 72)

Escrito por Mestre Chang às 19h51
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Atualizações do blog
Galera, no mês de fevereiro não estou conseguindo atualizar o blog com a regularidade que eu gostaria. Em março as coisas voltam ao normal.
Escrito por Mestre Chang às 00h48
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Reclamação
A Panini está colocando publicidade nas margens superiores das revistas em quadrinhos. Não sei se isso foi inventado pelo pessoal do Brasil ou se foi copiado dos americanos. Só sei que é um saco, pois tira a concentração do leitor.
Se os quadrinhos são arte (arte seqüencial), colocar esse tipo de propaganda é um absurdo. Imaginem colocar publicidade nas molduras da Mona Lisa. Ou colocar propaganda na parte superior das telas de cinema.
Espero que isso não dure muito.
Escrito por Mestre Chang às 18h32
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X-Men Widescreen 1

Estava relendo X-Men Widescreen 1 (New X-men annual 2001) e achei esta pérola de diálogo entre o Wolverine e a Dominó:
Dominó: se me permite o comentário, Scott Summers usa a cueca mais apertada que eu já vi na vida.
Wolverine: Cê tá enganada, gata. Ele acaba de se livrar da “possessão” de uma dessas forças do mal que a gente encara de vez em quando. Não tem graça nenhuma ser “possuído” e, no momento, o caolho tá tentando se apegar à sanidade com tanta força que os raios ópticos dele tão saindo pelo rabo. O cara anda tão tenso que, quando peida, só cachorro consegue ouvir.
(Comentário do Mestre Chang: putz, bota tensão nisso! Só a cachorrada ouve! É ultrassônico! Wolverine sempre engraçadinho), continuando:
Wolverine: E aí? Precisa de companhia depois desse trampo?
Dominó: Não dá pra esconder nada de um homem com hipersentidos, né? Paixão animal sem restrição, Logan. E você paga os drinques.
(Comentário do Mestre Chang: esse é o Wolverine engraçadinho e pegador. O cara sentiu os ferormônios da mina! E depois ainda botou pressão numas gatas em uma festa. Alguns autores transformam o cara em garanhão. Outros num monstro mais feio que o Fera.)
Tem mais alguns detalhes dessa revista que eu gostaria de comentar oportunamente. Aguardem...
Escrito por Mestre Chang às 18h05
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O paraíso
Descobri que eu não conhecia a seção de quadrinhos da Livraria Cultura. Eu, desinformado, freqüentava apenas a seção de revistas. Há uma outra seção, mais sofisticada, de livros de quadrinhos. Dá para pegar clássicos do Will Eisner, Alan Moore, Art Spiegelman e outros e ler confortavelmente em um daqueles sofás da livraria, sob um ar condicionado providencial que alivia o calor saariano que faz em Porto Alegre no verão. E ninguém vem xaropear. Só não dá para comprar, pois alguns títulos tem preços tão exorbitantes que arrepiariam até os cabelos do Professor Xavier. Também têm publicações nacionais difíceis de encontrar, como a 10 Pãezinhos, por exemplo. De qualquer maneira, não sei como eles chamam aquelas prateleiras. Eu chamaria de paraíso...
Escrito por Mestre Chang às 11h20
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Darth Vader era nazista?
 
Sempre achei que o Império de Star Wars era inspirado no III Reich. Agora apresento evidências de minha suspeita.
A imagem da esquerda é um pôster feito pelo governo dos EUA na época da II Guerra Mundial. Mostra um soldado alemão estilizado, usando o característico capacete da wehrmacht, e chama a atenção para a atuação de espiões nazistas em território norte-americano.
Na imagem da direita vemos o Darth Vader. Qualquer semelhança entre os dois não é mera coincidência...
Escrito por Mestre Chang às 14h44
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Da série: grosso, eu?

Ignorância pouca é bobagem...
Escrito por Mestre Chang às 02h28
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Os Playmos ainda existem
      
Saudosista, resolvi digitar playmobil.com para ver o que aparecia. Descobri que os cabeçudos ainda existem. Aí estão as provas: acima, gifs animados. Abaixo, playmobil viking e cruzado.
 
Escrito por Mestre Chang às 00h08
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O Tio Sam de Alex Ross e Steve Darnall

Um velho decadente, delirante, mendicante. Assim Alex Ross e Steve Darnall representam o maior símbolo norte-americano, na mini-série “Tio Sam”.
Em meio a surtos psicóticos e crises de incontinência urinária o velho Sam revisa a História dos EUA, sob a ótica de um veterano maduro e arrependido.
Com as calças listradas sujas de urina, ele contracena com outros símbolos nacionais estadunidenses, como a águia, a estátua da liberdade e a Colúmbia. Outros ícones norte-americanos também desfilam pelas páginas da revista: o selo nacional, a bandeira, a declaração de independência e a canção “Yankee Doodle”, por exemplo.
Símbolos nacionais de outros países também aparecem, como a Britânia, que dialoga freqüentemente com o velho Sam, o urso soviético e a Marianne francesa.

Na sarjeta e à beira da loucura, Tio Sam questiona quem ele é, e o que representa. Descobre que simboliza o espírito de uma utopia e que foi substituído por uma realidade cruel e arrogante.
O ápice da história é o confronto entre a utopia e a realidade. Entre o sonho americano e o império que lidera a “nova ordem mundial”. É uma luta que representa a autocrítica de uma nação que atingiu o auge e começa a cair.
Na minha opinião, uma das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos. Indispensável. Argumento interessantíssimo de Ross e Darnall. Arte sempre competente de Ross. Na verdade, considero a verdadeira obra-prima de Alex Ross. Foi publicado no Brasil em duas edições quinzenais em 1998 pela Abril (DC Comics-Vertigo). Não sei se já foi republicado. Se ainda não foi, o contexto histórico é propício para tal. Cairia como uma luva na atual conjuntura internacional.
Escrito por Mestre Chang às 02h15
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